Proudly created by ycarim melgaço

A educação no Brasil: "um barco à deriva"

Tuesday, May 31, 2016

 

A educação constitui um dos principais pilares do desenvolvimento de qualquer nação e integra os direitos fundamentais do cidadão – quanto a isso não há dúvida! Na atualidade, muitos países discutem a crise na educação e o Brasil faz parte desse grupo. Contudo, a educação brasileira se assemelha a um barco sem rumo...

Nos últimos anos, o Brasil se integrou a um modelo de expansão em larga escala do ensino superior. Alguns governos denominaram esse momento de “democratização do ensino”, chegando a tornarem-se corriqueiras expressões como “jamais neste país...”. O ensino superior se transformou em um espaço onde entra quem quer (uma porteira aberta) e, ao final da graduação, se tem uma população de felizes bacharéis, à semelhança de garrafas de coca-cola enfileiradas numa linha de montagem fordista.

Nessa festa sem data para acabar, o governo aumentou os índices da educação de nível superior e as classes de baixa renda ficaram satisfeitas, pois quem não tinha condições de pagar o ensino superior passou a ter acesso a crédito educacional, bolsas e financiamentos. Em 2004, foi criado o Programa Universidade para Todos (ProUni), que já garantiu a estudantes de baixa renda mais de 2 milhões de bolsas de estudo parciais e integrais em universidades privadas. Paralelamente ao Financiamento Estudantil (Fies), o programa tem como objetivo assegurar qualificação profissional a jovens que, no passado, dificilmente teriam espaço em universidades públicas – claro, esse é o discurso do governo!

Diante do cenário de fomento do ensino superior, surgiram os aproveitadores e oportunistas. A bola da vez dos negócios do mundo corporativo é aproveitar a sede de jovens – sobretudo daqueles de famílias de baixa renda – ávidos por botar os pés num curso superior. Tendo em vista o crédito oferecido pelo governo, a conjuntura nunca foi tão propícia ao aumento do lucro.

Mas é preciso ter cuidado! Grandes grupos educacionais de ensino superior têm se sustentado nos programas sociais disponibilizados pelo governo. Os grupos Kroton e Estácio, por exemplo, adquiriram outras instituições de ensino, criando um enorme monopólio na área da educação superior no Brasil. A única preocupação dos investidores é o retorno dos dividendos para os acionistas, às custas de alunos iludidos com a possível ascensão social em troca de um ensino de qualidade bastante duvidosa. Aos professores dessas instituições resta seguir a cartilha da escola: evitar a reprovação ao máximo, pois não se pode perder clientes. Vestibulares fazem parte agora da história de um país que oferta vagas para o ensino superior como se vende tomates em uma banca de feira.

No ritmo frenético de ampliação de vagas para a graduação, surgiram ganhos de produtividade, utilizando-se de aspectos inovadores, tais como o EAD (ensino à distância), uma vez que o MEC permite que 20% das disciplinas sejam ofertadas nessa modalidade. O EAD se tornou um lucrativo negócio, principalmente para os grandes grupos. Em tal modalidade de ensino, são necessários menos professores, pois podem ser utilizados pacotes de aula, os quais são gravados por empresas especializadas nesse ramo de negócio e vendidos como a melhor alternativa para o corte de custos operacionais. E assim proliferam-se as videoaulas e os textos em forma de apostilas de cursinho. Qual o problema dessa inovação? Nenhum! Afinal, o ensino se transformou numa verdadeira “mcdonaldização pedagógica”.

No meio dessa farra do ensino superior, os jovens calouros de graduação apresentam baixo desempenho em leitura e compreensão de texto – em outras palavras, não sabem ler – e têm dificuldades em matemática básica. O resultado disso é a formação de uma imensidão de profissionais “deficientes”.

Os altos índices de reprovação nos exames da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) exemplificam o despreparo dos bacharéis para assumir a profissão. Nos cursos de medicina, a situação pode ser ainda mais grave, tendo em vista o elevado número de faculdades de medicina espalhadas por todos os cantos do Brasil, com estrutura de ensino bastante precária. Como os médicos não se submetem a um exame de qualificação para o exercício da profissão, o risco para a saúde pública é notório. Bem, fazer o quê?! O azar é da população. Quem manda ficar doente?!

Nessa conjuntura, enquanto o ensino superior tenta buscar uma identidade, o ensino básico (fundamental e médio), sob responsabilidade dos estados e dos municípios, se encontra em estado terminal, na UTI, principalmente a educação oferecida pela rede pública. Faltam professores, os prédios estão decadentes e as merendas são roubadas (um ato de rapina em pleno século XXI). Por fim, as escolas são invadidas por alunos desorientados, em sua maioria de classes menos favorecidas. Destarte, os estudantes assistem à falência da única oportunidade que lhes resta de fazer parte deste país gigante.

E assim segue o barco da educação brasileira, transportando jovens estudantes esperançosos ou apenas iludidos, sem saber onde vai atracar...

 

Please reload

Palestras
Outros posts

O MARKETING FAST-FOOD NOS JOGOS OLÍMPICOS

August 27, 2016

1/7
Please reload

More BI on the web
Follow Me
  • Facebook Basic Black
  • Twitter Basic Black
  • Black YouTube Icon
Search By Tags

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload