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De onde vem o dinheiro: do PCC ao HSBC

Tuesday, May 31, 2016

 

 

O capitalismo e seus critérios de acumulação não poupam as formas primitivas. Nesse sentido, o tráfico de drogas consiste em um dos seus mistérios e preocupa, sobretudo, os países do centro da economia mundial, entre eles os Estados Unidos. O Brasil vem perdendo a batalha contra o tráfico de drogas em razão de diversos fatores: polícia despreparada, políticos corruptos e parte da alta sociedade usufruindo dos altos lucros do negócio.

Por um longo tempo, a Colômbia foi o centro das atenções em razão do poder do tráfico de cocaína no país. Exemplo eloquente – talvez, até lendário – é o inesquecível Pablo Emilio Escobar Gaviria, da pequena cidade de Medelin. Escobar ficou conhecido como o responsável por introduzir a cocaína em solo norte-americano, através da Flórida. No México, atual palco dos famosos narcotraficantes, o chefe do tráfico é conhecido como El Chapo, considerado um dos principais líderes do mundo, aliás, listado na famosa revista dos bilionários, a “Forbes”.

Em 15 de maio de 2016, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma matéria sobre a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) no tráfico de drogas, com o título “PCC negocia 40 toneladas de cocaína e arrecada R$ 200 milhões por ano”. De acordo com o jornal, “passados dez anos da série de ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo contra agentes públicos de segurança, o poder da maior facção do Brasil só cresceu. Hoje, a organização já movimenta 40 toneladas de cocaína e arrecada R$ 200 milhões por ano, com atuação em praticamente todas as vertentes do crime. Segundo as investigações do MPE e da Polícia Federal (PF), às quais o jornal ‘O Estado de S. Paulo’ teve acesso, mais de 80% dos rendimentos do bando vêm do tráfico de drogas. O restante tem origem em assaltos a banco, sequestros, tráfico de armas, rifas vendidas à população carcerária e mensalidade de R$ 600 cobrada de cada um dos mais de 10 mil integrantes do PCC – mais de 7.000 estão presos”.

O Estadão veiculou a informação de que as ramificações da organização criminosa são, inclusive, uma das formas para ela se manter viva: “agora, em vez de sufocada pelo poder estatal, a facção amplia seus tentáculos internacionais. O MPE e a Polícia Federal já têm provas de que o tráfico de drogas, principalmente o de cocaína, atravessou o Atlântico e desembarcou na Europa e na África. O Porto de Santos é o ponto de partida dos carregamentos. Traficantes de Portugal e Holanda, por exemplo, já estão entre os clientes do PCC. Segundo o MPE, durante uma blitz recente em um navio, foram encontrados 100 quilos de cocaína com destino à Europa. A droga estava misturada a bolsas. Ainda não há, porém, estimativa da quantidade ‘exportada’ para os dois continentes”.

Na análise do jornal, “o PCC funciona com um modelo de gestão estratégica, utilizado pelo mundo corporativo. Uma amostra da força financeira do PCC, que se estrutura como uma empresa, está em uma planilha apreendida durante uma operação policial. Nela consta que a facção gastou mais de R$ 1,8 milhão com advogados só no primeiro semestre do ano passado em São Paulo. Nos outros estados, o montante no período foi de mais de R$ 730 mil”.

Nesse contexto do tráfico de drogas, pode-se assegurar que o sistema financeiro tem um laço muito estreito com os traficantes, havendo vínculo entre os graúdos do sistema internacional e a lavagem de dinheiro. Já se discutiu em reuniões de países europeus que, para atacar o tráfico, devem ser investigadas as altas cifras investidas em grandes bancos. Recentemente, o HSBC foi palco de investigação sobre lavagem de dinheiro.

Destaca-se aqui uma nota interessante. Na Inglaterra, país onde parece não existir mais resquícios de acumulação primitiva do capital, se deu o escândalo de ligação entre o narcotráfico mexicano/colombiano e o banco britânico HSBC. A city londrina se tornou o centro mundial de lavagem de dinheiro da droga, assim afirma Roberto Saviano, especialista em crime e autor do best-seller “Gomorra”, que revelou a prática e o poder da Camorra napolitana. Pode-se assegurar que bancos e serviços do Reino Unido ignoram totalmente a regra básica “conheça o seu cliente”, o que limitaria a capacidade das organizações criminosas de reciclar o dinheiro das suas atividades. “Os britânicos consideram que este não é o seu problema porque não existem corpos estendidos nas ruas”, diz Roberto Saviano.

Ainda sobre o HSBC, é importante assinalar a fala do cientista político e historiador belga Eric Toussaint: “o caso do banco britânico HSBC é mais um exemplo da doutrina ‘grande demais para ser encarcerado’”. Em 2014, o Grupo HSBC afirmava empregar 260.000 pessoas em 75 países e ter 54 milhões de clientes. Durante a última década, entre os clientes do HSBC, estiveram os cartéis de drogas no México e na Colômbia, responsáveis por (dezenas de) milhares de assassinatos com armas de fogo, assim, o banco tem atuado na lavagem de dinheiro de um montante que alcança cerca de U$ 880 milhões. As relações comerciais do banco britânico com cartéis de drogas têm persistido apesar das dezenas de notificações e avisos de várias agências governamentais dos Estados Unidos, incluindo-se o OCC – Office of the Comptroller of the Currency.

Roberto Saviano acusa o governo britânico de bloquear permanentemente a legislação de combate à lavagem de dinheiro que a União Europeia tenta impor e receia que isso seja consequência do fato de que os bancos são uma importante fonte de financiamento dos partidos políticos. “Eles vão continuar assim até que alguém seja morto aqui em Londres por russos e italianos”.

         Desse modo, o PCC e o HSBC, igualmente, mantêm seus interesses voltados para onde há dinheiro, venha ele de onde vier, até mesmo do tráfico de drogas.

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