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A fraude do motor a diesel e o greenwashing

Thursday, June 2, 2016

Pasmem! A Volkswagen – uma da mais conceituadas montadoras de automóveis do planeta – foi denunciada, em pleno século XXI, por fraudes na fabricação de motores supostamente ecológicos. De ecológicos os motores não tinham absolutamente nada, uma enganação total do consumidor. O escândalo veio à tona em setembro de 2015, nos Estados Unidos; suspeitas sem comprovação já existiam antes disso. Afirma-se que os motores fabricados pela Volkswagen emitem de 10 a 40 vezes mais poluentes do que os níveis detectados em testes de emissão convencional. Estima-se que há 11 milhões de veículos nessas condições, rodando em vários países. Ou seja, número bastante considerável de pessoas acreditou numa marca renomada e foi enganado. De repente, os clientes da Volks acordaram e descobriram que os motores a diesel dos seus carros poluem mais do que chaminé de fabriquetas chinesas. 

Mas o que levaria uma indústria de renome internacional, de origem alemã, a cometer um ato de pura rapinagem no mercado de automóveis, lesando milhões de clientes que confiaram numa marca forte construída ao longo de muitos anos?

Arriscaria tranquilamente alguns palpites numa breve tentativa de esclarecer tamanho embuste. Começaria com algo da moda, o termo em inglês greenswashing, cujo significado nada ético se relaciona com a tentativa de certas empresas de lançarem no mercado produtos ambientalmente sustentáveis, mas que não passam de um arranjo para ser eco-friendly, “amigo do ambiente”, ou uma “maquiagem verde”, a falsa publicidade ambiental.  

Tais clichês são estudados pelo marketing moderno e causam um impacto positivo em quem os lê ou os ouve por meio de comerciais. Parece absurdo alguém se utilizar de um discurso para ser “amigo do ambiente”. Mas é assim que diversas empresas estão se atualizando para acompanhar as mudanças de conceitos, afinal, o respeito ao meio ambiente se encontra em alta cotação, pois há atualmente maior preocupação com a preservação do planeta. Os discursos de sustentabilidade ambiental se proliferam como uma praga e são habilmente incorporados pelas empresas numa tentativa de acompanhar tendências mundiais. Porém a preservação ou a sustentabilidade ambiental têm um nome: lucro. As empresas não querem perder o bonde da história e se atualizam de forma traiçoeira, iludindo os consumidores com produtos fabricados sob a caracterização de “rótulo verde”. Chamaria isso tudo de pura “perfumaria”. No final das contas, esse engodo não passa de uma trapaça ou, do ponto de vista legal, de uma fraude.

Em outro palpite na tentativa de entender a enorme furada da Volkswagen, poderia considerar as mudanças nas recentes leis antipoluentes dos Estados Unidos, que se tornaram mais exigentes a partir de 2004, endurecendo os padrões para emissão de óxido de carbono. Uma boa evidência do crime é que, com a legislação mais rigorosa, nada melhor do que se aproveitar e lançar um motor altamente inovador no que diz respeito à poluição. Como não passou de um jogo sujo, de falcatrua logo descoberta, a estratégia de motor inovador da grande multinacional foi para o buraco e arrastou com ela seu presidente, o qual, num primeiro momento, tentou se esquivar da situação de uma forma bastante bizarra. Afirmou que não tinha conhecimento da situação, afinal, o presidente não sabia dos projetos inovadores da sua empresa. Claro, ninguém o avisou (como se isso fosse possível!).

Mais uma hipótese para tentar explicar a questão é que a Volkswagen não contava com a possibilidade de uma averiguação mais precisa dos seus “motores inovadores”. Isso só aconteceu quando um grupo independente, o Conselho Internacional de Transporte Limpo, juntamente com a Universidade West Virginia, decidiu estudar o sistema da indústria alemã e averiguar as condições dos tais motores antipoluentes da marca. Os pesquisadores analisaram alguns veículos em trajetos nas estradas e compararam aos testes realizados com o veículo parado, método utilizado pelas autoridades. Os resultados foram decepcionantes, ou seja, os motores emitiam um número de partículas poluentes bem acima dos níveis mínimos determinados por lei. Estava assim descoberta uma das maiores trapaças do século XXI: os motores modernos e sofisticados, fruto da inovação dos cientistas da Volkswagen eram, efetivamente, uma bomba poluidora.

Nesse contexto, as autoridades norte-americanas foram alertadas da fraude e, então, o que resta aos consumidores? Resta receber uma indenização por danos materiais concedida pelos ilustres chefes da indústria montadora alemã, comprar outro veículo menos poluente e acreditar menos nos discursos maravilhosos das indústrias automobilísticas, fabricado por agências especializadas em vender gato por lebre.

A grande inovação da Volkswagen não foi a criação de um motor antipoluente, mas de um software instalado na central eletrônica dos veículos para alterar as emissões de poluentes apenas quando esses eram submetidos a vistorias. Depois disso, os veículos voltavam a emitir gases tóxicos em larga escala. A ideia foi minuciosamente estudada pela montadora alemã, com o objetivo de estabelecer o embuste, aumentar os lucros e afirmar aos acionistas da marca que seu negócio estava a todo vapor.

A punição à Volkswagen pode chegar próximo aos US$ 15 bilhões, mediante acordo com a justiça norte-americana em 2016. Nesse montante, constam US$ 10 bilhões apenas para cobrir ações judiciais de proprietários de veículos afetados com motores a diesel. Incluem-se US4 2,7 bilhões para um fundo de recuperação ambiental e outros US$ 2 bilhões serão investidos na promoção da tecnologia de veículos de emissões zero.

Como conclusão, afirmo que a busca incessante pelo lucro, muitas vezes oriunda da pressão dos acionistas, dos papéis na bolsa, fala mais alto e impõe às empresas medidas que acabam lesando os consumidores. Pode-se asseverar que se trata de um vale-tudo para gerar receitas no balanço das empresas. Nesse contexto da era ambientalmente correta, a Volkswagen se enquadra no exemplo do greenwashing, ao oferecer um produto sustentável sem revelar os riscos ambientais; em outras palavras, efetuando uma fraude ou agindo com total falta de ética. Resta afirmar que a trapaça pode custar muito caro às empresas, algumas não se recuperam.

Viva o meio ambiente!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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