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O espetáculo da corrupção na República das Bananas

Wednesday, June 8, 2016

 

O ESPETÁCULO DA CORRUPÇÃO NA REPÚBLICA DAS BANANAS

 

 

 

 

A República das bananas escorregou e espatifou-se! Sobraram frutas amassadas, espremidas, enganadas e surrupiadas no palco da ignorância de um povo iludido.

Vive-se um momento ímpar na Pátria das bananadas, desde que os primeiros primatas aqui chegaram para explorar um tal de pau-brasil. Veio o ciclo do ouro, do gado e o pior de todos, o mais desonroso, o da corrupção. Essa tornou-se endêmica ou sistêmica. No fundo, esparramou-se, está em todo canto. Tapa-se de um lado, de repente, brota de outro, como uma praga.

Figuras ilustres da “pátria verde-amarela” (não custa lembrar que banana nasce verde e depois fica amarela), onde se estampa o lema: “Ordem e Progresso”, se tornaram as celebridades do momento. Alvos de investigações por corrupção são exibidos na  televisão diariamente; algemados e encapuzados com a própria vestimenta pelas operações da Polícia Federal. Parece algo inédito! Arriscaria dizer, sem o menor temor, que essas investigações colocam os filmes de gângsteres de Hollywood no chinelo.  São muitos atores e atrizes com suas conversas gravadas e exibidas pelas tevês, denunciando descaradamente os negócios escusos da República das Bananas.

Corrupção todo mundo sabia que existia, desde muito tempo atrás, mas era algo velado. O chamado crime de “coralinho branco”, por exemplo, encontrava-se nos subterrâneos do poder. Cenas diárias de revelações, de delações premiadas, de novas descobertas, de casos de cumplicidades entre empresários e políticos estão na mídia instantaneamente.

Esses episódios trazem à tona a ideia de capitalismo de laços, isto é, a relação de cumplicidade entre o público e o privado, então chamado de laço, e aqui com um nó bem atado, que ninguém conseguia desatar, até que a justiça federal do Paraná resolveu entrar numa investigação de um posto de gasolina, suspeito de lavagem de dinheiro, dando início à operação Lava Jato.

Olhem só! Um posto de gasolina daria vida ao maior processo de investigação de todos os tempos. Isso mesmo! Conhecido por Posto da Torre, em Brasília,  iria inspirar o nome da maior operação de investigação por corrupção jamais levantada nesse país. O estabelecimento aceitava apenas dinheiro vivo, um forte indício de possível legalização fraudulenta de recursos.

Nas buscas através de interceptações telefônicas, deparam-se com o principal protagonista das operações despudoradas, o tal doleiro, Alberto Yussef, figura já conhecida de outros carnavais por  -haver sido investigado num envolvimento de fraudes do Banestado, em 2002. Então, o galã do crime organizado volta à cena e permanece em cartaz por um longo tempo; desferindo seu forte arsenal bélico e começando a disparar contra empresários e políticos do mais alto escalão da República das Bananas. Foi um “salve-se quem puder”. O perigo está à solta, vê-se de uma hora para outra, políticos e empresários desesperados nos corredores da Polícia Federal, sob os holofotes da mídia, ávida por mais um escândalo das entranhas do poder.

         Esse espetáculo na República das Bananas ̶ haja bananada! ̶ parece nunca ter fim, desde a que a chamada delação premiada tornou-se um instrumento de tortura utilizado pela justiça para aprofundar as investigações. Tortura porque deixa muitos envolvidos sem chão, desmascarados e expostos para o público, desesperados sem saber o que pode acontecer a qualquer momento. Quando detidos e experimentam o “quadrado”, em outras palavras, a prisão num cubículo, acabam partindo para a famosa delação premiada. A única saída daquele lugar indesejado é negociar informações com a justiça e então abrir o bocão e trazer os companheiros da gangue. Haja coração!

Tais eventos de investigação se aproximam da acumulação primitiva do capital ou forma originária de acumulação, descrita por Karl Marx como o episódio marcante do século XIII – quando da transição do regime feudal para o capitalismo – e compreendido como “ato de rapina”, em outras palavras, literalmente roubo. Nesse aspecto do espetáculo, a República das Bananas se encontra no auge da rapinagem.

Citaria ainda o geógrafo marxista David Harvey, ao pontuar essa análise da acumulação primitiva de Marx com um termo talvez mais adequado para o século XXI, o espólio. Espólio, seria uma forma elegante de denominar a pilhagem que contaminou a República das Bananas, na verdade, o crime organizado, onde desfilam atores no mais despudorado cinismo diante de câmeras de televisão.

Afinal, após tantos espetáculos, tantas aflições, população perplexa, será que a República das Bananas estará salva da rapinagem? Acho oportuno terminar com um trecho do saudoso Cazuza, com sua melodia: Brasil mostra tua cara, quero  ver quem paga pra gente ficar assim. Brasil, qual é o teu negócio? O nome do teu sócio?...

 

 

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